A grandeza de um Governo avalia-se pela qualidade dos Projetos que realiza em favor do povo. Projetos planejados que atendem os anseios de toda a comunidade.
A elaboração de um Projeto como esse, visa o progresso de nossa cidade e o bem estar de nossos munícipes;
Presta homenagem aos homens, mulheres, crianças e idosos que construíram com o progresso de nossa querida terra da saudade;
Resgata a memória de nossa história e garante que as futuras gerações possam conhecer os seus antepassados para construir uma cidade cada vez melhor para se viver.

Adauto Scardoelli
Prefeito Municipal

A inquietude incessante em busca de riquezas ou simplesmente a procura de uma vida melhor, sempre levaram os homens a aventurar-se pelo desconhecido procurando descobrir, conquistar e desbravar novos lugares. Assim com muita bravura, coragem e trabalho, surgiram os vilarejos. Com a formação dos povoados, surgiu a necessidade de providenciar um lugar onde fossem sepultados os entes queridos dos familiares que ali residiam, pois até o inicio do século XX, os meios de locomoção eram bastante rudimentares, o que dificultava o traslado de corpos para outras localidades mais distantes.

Nesse contexto, surgiu no ano 1892, o arraial com a capela do Senhor Bom Jesus dos Palmares. E posteriormente em 25 de março de 1895, celebrou-se a primeira missa naquele local e em maio do mesmo ano o arraial tornou-se Distrito Policial para um período de dois anos e por final em 07 de maio de 1897, pela Lei nº 499 sancionada pelo então presidente do Estado de São Paulo Dr. Manoel Ferraz de Campos Salles, o Arraial do Senhor Bom Jesus das Palmeiras tornou-se distrito de paz de Matão.

Abaixo vemos a ata que é o primeiro documento antigo comprobatório da fundação do Arraial:

“Aos treze dias do mês de fevereiro de 1892, em casa do Coronel João de Almeida Leite Morais, às cinco horas da tarde, achando-se reunidos os abaixo assinados, foi convidado o Srº Dr. Américo Franklin de Menezes Dória para presidir e expor os fins da reunião, o qual convidou para seus secretários os cidadãos Theophilo Dias de Toledo e Leão Pio de Freitas. Aberta a sessão, o presidente mostrando as grandes vantagens que havia na criação de uma capela e cemitério, inicio de uma futura povoação no florescente bairro do Mattão, lembrou a eleição de uma diretoria e diversas comissões a fim de angariarem donativos para o fim acima indicado. Para a comissão diretora foram aclamados o Coronel João de Almeida Leite Moraes, Antonio da Silva Coelho, Antonio Machado de Campos Barros, José Bento Filho e tesoureiro o cidadão Theophilo Dias de Toledo. Para as outras comissões foram eleitos os senhores: Leão Pio de Freitas, Antonio Dutra da Costa e João Bellintani, como representantes do bairro denominado Mattão; Joaquim Correa de Freitas, Francisco Leandro de Abreu e José Martins de Lara, dos cocais de Dobrada; Jose Arruda Campos, Ismael da Silveira Leite e Joaquim Pio, da primeira Secção da Fazendinha; Gilberto Pedro Franco, Antonio Felizardo e Augusto dos Santos, da segunda secção da mesma sesmaria; Joaquim Martins de Lara, Carlos Batista de Magalhães, Francisco Lopes e Antonio Emiliano, da posse; Dr. Ernesto Augusto Malheiros e Antonio da Silva Prado, da Estiva; Avelino Pinto Ferraz, Dr. Julio Cesar de Morais, do Baguassu e João Schwench do Cambuhy, foi autorizada a comissão diretora a convidar todas as pessoas interessadas pela prosperidade e desenvolvimento do lugar, que estiverem em condições, a edificarem prédios nos terrenos concedidos no patrimônio da futura capela. Eu, secretário que a escrevi e a subscrevo: Theophilo Dias de Toledo, Dr. Américo Franklin de Menezes Dória, Leão Pio de Freitas, João de Almeida Leite Morais, Antonio Machado de Campos Barros, Antonio da Silva Coelho, José Bento Filho, Pe. Luciano F. Pacheco, Gilberto Pedro Franco, João Bellintani, Jorge Correa (por Herculano Correa da Silva e Joaquim Martins de Lara), João de Almeida Leite Morais e José de Arruda Campos”

Podemos observar na ata que instituiu a formação do povoado que o cemitério era algo primordial para aqueles idealizadores por motivos já citados anteriormente. A partir daquele momento, começaram as demarcações dos lotes residenciais, o local da capela e também o lugar destinado a ser cemitério. Não se sabe ao certo quando foi a data dos primeiros sepultamentos no extinto cemitério, todavia documentos antigos comprovam que a partir daquele momento os sepultamentos poderiam ser realizados naquele local. A pesquisa abaixo, realizada pelo historiador Adail Pedro, apesar de ser um trabalho muito sério, não expressa o numero exato de sepultamentos no extinto cemitério, pois o mesmo elaborou a lista de falecidos levando em consideração apenas os óbitos lavrados no Registro Civil de Matão a partir da data de 09 de setembro de 1897, momento em que foi instituído o cartório. Os óbitos ocorridos anterior a essa data foram registrados no Cartório de Registro Civil de Araraquara-SP. Os primeiros sepultamentos que se tem conhecimento são datados no ano de 1895 como, por exemplo, o de Felippe Malzoni ocorrido em 10 de dezembro de 1895. Não há registros nem relatos de ocorrência de sepultamentos naquele local anterior ao ano de 1895. Acredita-se que pela religiosidade e pelos costumes da época, os primeiros sepultamentos tenham ocorrido após a data da celebração da primeira missa em 25 de março de 1895, ato litúrgico que abençoou aquele povoado.

O extinto cemitério funcionou plenamente ate 30 de agosto de 1902, quando os sepultamentos passaram a ser realizados no cemitério atual. Sua extinção acorreu em razão da chegada da epidemia de varíola no município, fato narrado no texto da introdução do cemitério atual. Apesar de não haver mais sepultamentos naquele cemitério, a Prefeitura municipal mantinha o local sempre bem cuidado para que as pessoas pudessem continuar visitando os falecidos ali sepultados. Em 18 de dezembro de 1923, a Câmara Municipal de Matão, através do acto nº7/23, autorizou o Srº Prefeito exumar e trasladar para o cemitério atual os restos mortais dos sepultados em covas rasas (comuns), mesmo com tal autorização a maioria das famílias optaram por não realizar a trasladação, por essa razão a maioria dos corpos sepultados em sepulturas comuns, permaneceram definitivamente naquele local. O mesmo acto autorizou ainda o Srº Prefeito restaurar aquele cemitério com a finalidade de voltar a realizar novos sepultamentos de pessoas que não fossem vitimadas por doenças contagiosas, cujas familiares possuíssem sepulturas perpetuas (pagas); mesmo com essa iniciativa não houve interesse dos familiares em reutilizar aquelas sepulturas, portanto não foi realizado naquele período nenhum registro de sepultamento. Sendo assim o então prefeito municipal Manoel Martins de Castro, sancionou a Lei nº2 de 2 de maio de 1929 que autorizou o arrasamento total do cemitério velho e dentro do prazo de um ano, os restos mortais de sepulturas perpétuas foram trasladados para os cemitérios de interesse dos familiares. Apesar de o arrasamento ter ocorrido no ano de 1929, muitos túmulos em ruínas permaneceram no local ate a década de 1960.

Adão Manoel Christino
Administrador do Cemitério
Matão-SP, 27 de outubro de 2006

 

 

Memorial do Antigo Cemitério de Matão

Consta oficialmente como o primeiro falecido registrado no cartório de Registro Civil de Matão e sepultado no extinto cemitério em 09 de setembro de 1897, o imigrante Dade Luige, com 65 anos de idade, italiano e morador da Fazenda São Lourenço de propriedade do Sr. Ângelo Pastore.

No extinto cemitério foram pesquisados oficialmente 953 sepultamentos realizados até o dia 24 de agosto de 1902, quando foi sepultada Maria Barassi. A partir de então todos os sepultamentos passaram a realizar-se no cemitério atual.

Até a década de 60 ainda eram visíveis alguns túmulos esparsos, abandonados e em ruínas, no meio de eucaliptos. O cemitério localizava-se no quadrilátero Alameda da Saudade, Avenida Santo Antonio, Rua Ruy Barbosa até aproximadamente onde é a hoje a Avenida Laert Tarallo Mendes.

Uma minoria dos sepultados no antigo cemitério foi transferida para o novo ao longo dos anos até a sua extinção.

Abaixo um quadro demonstrativo dos sepultamentos realizados conforme a nacionalidade, sexo e idade:

Homens

Mulheres

Criança “menor” 1 ano

Criança “maior” 1 ano

Total

Brasil

Imigr.

Brasil

Imigr.

Brasil

Imigr.

Brasil

Imigr.

 

91

100

69

60

129

278

108

118

953

Por ocasião da comemoração do centenário de nosso município foi resgatados a memória de seus primeiros habitantes e fundadores quando foi construído um memorial de encontra-se na entrada do cemitério atual, com placas apresentando o nome de todos os sepultados no antigo cemitério em uma justa homenagem àqueles que procuraram em nossa terra o seu futuro e suas realizações.

Adail Pedro
Advogado e Historiador

Alameda da Saudade, 28 - Vila Pereira - Matão/SP - Fone (16) 3382-1248